
Os cerca de 290 pinguins-de-Magalhães encontrados mortos em praias de Florianópolis nos últimos 40 dias são um fenômeno considerado norma para essa época do ano, segundo biólogos da Associação R3 Animal, Ong que monitora o ecossistema no Litoral catarinense. Para os técnicos, o encalhe diário desses animais nas praias em Florianópolis é considerado comum nesta época do ano, e pode seguir até a primavera.
Ainda segundo a associação, os animais resgatados com vida geralmente estão no primeiro ano de vida, e encaram pela primeira vez a migração desde a Patagônia. Como são inexperientes, após esse longo trajeto eles chegam exaustos e magros, e alguns não resistem.
Receba notícias do Tudo Sobre Floripa pelo Whatsapp
O registro mais recente de pinguins mortos nas praias da Ilha ocorreu na quinta-feira (14). Somente em um único dia, 41 aves foram resgatadas mortas entre a Barra da Lagoa e a Praia do Moçambique. Dos 19 pinguins resgatados vivos, apenas cinco resistiram e seguem em reabilitação.
– No exame de necropsia, a maioria dos animais apresentam alterações compatíveis com afogamento por interação antrópica (captura não intencional por petrechos de pesca), além de sinais de desnutrição devido ao longo caminho percorrido durante a migração e falta de alimento neste período -, explica a médica veterinária Janaína Rocha Lorenço.
Dos pinguins que deram entrada vivos no R3 Animal, apenas cinco sobreviveram e estão em tratamento. Atualmente, dez pinguins estão em reabilitação, sendo dois da temporada passada, que encalharam no início do ano, dois resgatados pela Univali, no Litoral Norte, e um resgatado pela Univille, na região de São Francisco do Sul.
Ainda segundo a R3 Animal, o número de pinguins encontrados encalhados nas praias da Ilha de Santa Catarina está dentro do padrão esperado, visto que em 2021, foram registrados 1.728 pinguins nas praias da Ilha, e apenas 178 estavam vivos no momento do resgate.
Somente neste ano, 578 animais marinhos foram encontrados na Ilha de Santa Catarina. Apenas 92 estavam vivos no momento do resgate. Deste número, 456 eram aves. Foram encontrados 21 mamíferos marinhos, sendo 18 golfinhos mortos, entre eles 13 toninhas (Pontoporia blainvillei), o golfinho mais ameaçado de extinção do Atlântico Sul.
Os outros três mamíferos eram leões-marinhos-do-Sul. Dois mortos e outro vivo, mas bastante idoso. Ele chegou a ser levado com vida ao Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM), mas não resistiu.
Neste mesmo período, 101 tartarugas marinhas foram resgatadas, apenas três estavam vivas e foram entregues no Projeto Tamar Sul para reabilitação. Por outro lado, até o dia 30 de junho, foram reabilitados 95 animais marinhos.






















































