A Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho, no saguão de entrada da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis, sedia desde a terça-feira (16) a exposição “As cores de cada vida”, lançada pela Polícia Civil. São obras de 14 artistas plásticos, que produziram retratos estilizados de mulheres vítimas de feminicídio em Araranguá, Braço do Norte, Criciúma, Içara, Jaguaruna, Laguna e Tubarão, todas no Sul do Estado, entre 2012 e 2021. A mostra já percorreu algumas cidades e pretende chegar a todo o território catarinense.
A idealizadora do projeto, Clarissa Enderle, explica que, com o aumento do número de feminicídios em 2019, a intenção é chamar a atenção da sociedade sobre o tema, apresentar o trabalho de investigação da Polícia Civil e facilitar a prevenção ao crime, o acesso das mulheres à denúncia.
Psicóloga da Polícia Civil, Clarissa informou que, graças a patrocinadores, artistas plásticos foram convidados a participar do projeto, como Nadya Niehues Becker, de Braço do Norte.
– Cada mulher tem a sua história. Queremos despertar a consciência para o respeito -, salientou.

Números alarmantes
A delegada Patrícia Zimermann, que coordena as delegacias de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso (DPCAMIs) organizou a exposição e apresentou dados sobre esses crimes.
– Apenas em 2022 a Polícia Civil registrou 90.001 vítimas de violência doméstica e familiar em Santa Catarina. No mesmo ano 56 feminicídios. São números absurdos e a história de vida dessas mulheres merece ser contada em cores, quais crimes foram cometidos, para que a gente traga de volta a vida dessas mulheres -, salientou Patrícia.
A procuradora da mulher na Casa e coordenadora do Observatório da Violência contra a Mulher, implantado na Alesc, deputada Luciane Carminatti (PT), falou emocionada sobre o tema.
– Precisamos fazer uma reflexão sobre a construção da violência, que traz problemas coletivos de saúde social. O que estamos fazendo aqui não é pra comemorar, mas motivo de profunda indignação. Gostaria que essa exposição chegasse às instituições escolares, a alunos e professores, para questionar a educação que prega que homens são donos do corpo da mulher -, disse ela. Também prestigiram o ato os deputados Mauricio Eskudlark (PL), Delegado Egídio (PTB), Mário Motta (PSD) e Marquito (Psol).






















































