A produtora Novelo filmes, de Florianópolis, concluiu nesta semana as filmagens do longa-metragem “Casarão”, uma produção totalmente gravada no interior de Santa Catarina. Estrelado por Juliana Lourenção, a obra também marca o retorno da atriz catarinense Andrea Busato às telonas.
O projeto, encabeçado por três mulheres na direção, roteiro e produção, demorou mais do que o planejado por conta da pandemia, trocas de governos, desmontes do Ministério da Cultura nos governos Temer e Bolsonaro e paralisação de financiamento público. Mas Casarão resistiu aos percalços porque tem uma boa história.

Ambientada nos anos 1950, o longa é sobre a trajetória de uma mulher viúva e endividada, que fará de tudo para não perder a propriedade onde vive com sua filha. A protagonista é interpretada pela paulista Juliana Lourenção, que cursou Cinema na UFSC. A filha da personagem ganhou vida através da atriz Karen Wassmen, que faz sua estreia no formato longa-metragem.
Também estão no elenco rostos conmhecidos do público, como a atriz catarinense Andrea Busato, até hoje a única de Santa Catariana receber um troféu Kikito no Festival de Gramado. Natural de Itajaí, Andréa se notabilizou nos anos 90 como apresentadora de telejornal em Florianópolis, foi parar numa edição nacional do Jornal do SBT, mas optou por se guir a carreira na dramaturgia. Chegou a participar de novelas na Rede Globo, como Bang-Bang, onde fez par romântico com Marco Ricca.
O elenco ainda conta com João Pedro Prates, Guilherme Rodio, Valdir Grillo, Fernando Bispo e Sarah Motta, além de atores locais da região onde ocorreram asd gravações, nas cidades de Canoinhas e Itaiópolis.

A direção está a cargo de Cíntia Domit Bittar, que aprofunda sua incursão como autora no cinema de gênero terror. “Construir o suspense e a angústia no cinema é algo que me desafia enquanto autora, em especial por tentar abordagens mais inusitadas e trabalhar com personagens mulheres que fogem do padrão vítima ou mocinha”, afirma a diretora. Ela também assina o roteiro, co-escrito por Maria Augusta Nunes e Fernanda de Capua. “Para mim, que trabalhei no roteiro desse filme desde o início, foi um exercício muito interessante o de preservar a essência do enredo durante todos esses anos e tantas transformações que o projeto sofreu”, conta Nunes.
A produção é de Ana Paula Mendes. “Casarão é um dos primeiros projetos de longa-metragem de ficção aqui na produtora. Enfreitou dificuldades, mas se manteve íntegro pela força de sua boa história, de ter uma premissa forte. É um projeto que traduz também a resistência necessária para se fazer cinema em Santa Catarina, a partir de uma produtora independente liderada por mulheres”, avalia Mendes.

Investimentos no terror autoral
A produtora independente é sediada em Florianópolis e completa 15 anos em 2025, reunindo em sua filmografia curtas-metragens de terror e o longa-metragem “Virtuosas”, que também contou com Juliana Lourenção. O filme foi rodado no último semestre, e em breve chegará às telas com distribuição da Olhar Filmes.
“A incursão da Novelo no gênero, em especial no terror, é algo muito natural para nós, pois somos três sócias espectadoras de filmes assim desde a infância. Trabalhamos com outros tipos de obras, como documentários, dramas e conteúdo infantil e juvenil, mas o terror realmente ganha um espaço cada vez mais consistente aqui na Novelo, sempre deixando o lado autoral em evidência numa busca constante pelo equilíbrio entre qualidade artística e poder de entretenimento. Gostamos de sermos reconhecidas por isso”, explica Bittar.
A produção
As filmagens se deram em dois patrimônios históricos do planalto norte catarinense, com algumas cenas na Capela São Miguel, no interior de Canoinhas, e a maior parte no Casarão da Fazenda São Jorge, erguido entre 1926 e 1928, no município de Irineópolis. Conhecido também como Casarão Domit ou Casarão Amarelo, atualmente funciona como museu e é tombado também pelo seu valor arquitetônico. Apesar do nome Domit ser também um dos sobrenomes da diretora, ela conheceu o lugar apenas em 2015, quando fizeram a primeira visita presencial. “Tenho parentesco um tanto distante com o senhor Roberto Domit, que é o mantenedor do espaço e neto de quem construiu a casa, mas ele recebeu a produção como se fôssemos a equipe toda uma grande família”, conta.
O projeto emprega diretamente cerca de 80 pessoas e conta com financiamento estadual e federal, do Prêmio Catarinense de Cinema através da Chamada Pública de Co-investimento Regional (Ancine/FSA/BRDE), e recebeu apoio do Fundo Ibermedia durante seu desenvolvimento.
Atuante na política audiovisual, Cíntia Domit Bittar é membra do Conselho Superior do Cinema / Minc (2023-2025), vice-presidente do Santacine – Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina e integrante do +Mulheres Lideranças do Audiovisual Brasileiro. Integrou a chapa fundadora da API – Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro, onde esteve na diretoria por três mandatos (2019 – 2023). Recentemente, lançou “Quero ser veg” na TV Brasil, série que discute veganismo com informação e humor. Bittar assina a criação e a direção do projeto.
Além de Casarão e Virtuosas, Juliana Lourenção também atuou no longa “Uma Questão de Escolha”, que também deve ser lançado em 2025, além da série “Vale dos Esquecidos” na HBO. Atriz, bailarina, escritora e cineasta, se formou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e cursou Cinema na Universidade Federal de Santa Catarina. Como atriz sua carreira já ultrapassa uma década, tendo realizado diversos trabalhos no audiovisual e no teatro. Foi protagonista do longa-metragem “A Grávida da Cinemateca”, e integra o elenco de diversas produções como “Notícias Populares” do Canal Brasil, “Carcereiros” da Rede Globo e “Amazônia Oculta” da TV Cultura.
Como autora, foi publicada em 2021 na antologia Feminismos e em 2023 na antologia Mulheres Incensuráveis. Recebeu prêmios de Melhor Atriz no BARCIFF de Barcelona, no ICF Festival of Tokyo, e no Festival de Cinema de Jaraguá, pelo filme “Chronos”. Em 2024, roteiriza, dirige e protagoniza o seu primeiro curta-metragem: “Pecado”.






















































