O governo federal promoveu na sexta-feira (14) uma homenagem póstuma ao ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier. A cerimônia ocorreu no Centro de Convenções do Banco do Brasil, em Brasília, com a entrega da medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo, destinada a pessoas que prestaram serviços relevantes à educação.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia, junto com o Ministro da Educação, Camilo Santana. Luis Carlos foi representado pelo seu filho, Mikhail Cancellier, que recebeu a distinção das mãos do presidente e do ministro.

Cancellier foi alvo da operação Ouvidos Moucos em setembro de 2017, durante a fase mais intensa do lavajatismo. Na ocasião, ele foi preso junto com outros seis professores por determinação da Polícia Federal. O ex-reitor foi libertado no dia seguinte, mas teve o acesso à universidade proibido por decisão judicial.
Dezenove dias depois, Cancellier retornou à UFSC em um caixão, após cometer suicídio. No bolso, foi encontrado um bilhete no qual escreveu: “A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade”. A investigação não identificou participação dele em desvio de recursos.
O caso gerou questionamentos sobre os procedimentos adotados na operação. Em entrevista à revista CartaCapital em 2022, o jornalista Paulo Markun, autor do livro “Recurso Final: A Investigação da Polícia Federal que levou ao suicídio de um reitor em Santa Catarina”, explicou que decidiu escrever a obra para compreender como a PF apontou a existência de uma quadrilha que teria desviado 80 milhões de reais.
Markun destacou que o acórdão mais recente do Tribunal de Contas da União menciona possíveis irregularidades sobre cerca de 3% do total inicialmente divulgado. Segundo ele, desse percentual reduzido, somente 8% foram pagos durante a gestão de Cancellier, sem que fosse demonstrada qualquer ligação direta do reitor com os repasses.
O jornalista afirmou ainda que as informações iniciais foram amplamente reproduzidas pela imprensa. “Foi uma leviandade imensa propagada por nós, jornalistas. Nós é que fizemos isso, comprando sem colocar em dúvida a versão que tinha sido apresentada”, declarou Markun. O livro foi publicado pelo selo Objetiva, da Companhia das Letras.






















































