Duas práticas bastante conhecidas dos catarinenses foram aprovadas nesta semana como novos bens do Patrimônio Cultural do Brasil. O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o registro do conjunto de Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca e também a Pesca colaborativa com Botos, bastante usada em todo o Litoral do Brasil.
De acordo com o Iphan, as deliberações reforçam a política de salvaguarda do patrimônio imaterial e valorizam comunidades detentoras de práticas históricas em diferentes regiões brasileiras.

Os Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca configuram um Sistema Agroalimentar Tradicional estruturado a partir da produção artesanal da farinha. Esse sistema conecta a roça e a mesa de inúmeras famílias e ganha vida nos engenhos, espaços marcados por vínculos ancestrais com o território catarinense. A diversidade de tipologias reflete a pluralidade de grupos formadores da sociedade brasileira – indígenas, quilombolas e eurodescendentes – que, há gerações, cultivam a mandioca e preservam conhecimentos próprios de plantio, beneficiamento e preparo dos alimentos.
“Esta prática possui uma íntima conexão com a memória, à identidade e à ação das referidas comunidades. Relações de trabalho, parentesco, sociabilidade, criatividade, saberes ecológicos, formas de territorialidade, tradição e inovação perpassam a produção artesanal da farinha de mandioca nos engenhos catarinenses, articulando dimensões materiais e imateriais do patrimônio cultural”, destacou a relatora conselheira Luciana Gonçalves de Carvalho. Com a decisão favorável, o bem cultural será inscrito no Livro de Registro dos Saberes.
Já a Pesca com Botos no Sul do Brasil traduz uma relação de cooperação entre pescadores e botos, transmitida de geração em geração. Nessa parceria, os animais conduzem os cardumes e sinalizam o momento adequado para o lançamento da rede de pesca, em uma dinâmica compreendida pelos pescadores como trabalho compartilhado. Além de envolver técnicas específicas, a atividade articula códigos próprios de organização do território pesqueiro, regras de convivência e uma relação simbólica e afetiva com os animais. Diante de ameaças ambientais e transformações socioeconômicas, o reconhecimento busca fortalecer a continuidade da tradição e valorizar os detentores do saber como protagonistas das ações de salvaguarda.
Publicação
Durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, também foram lançados dois fotolivros dedicados a bens culturais apreciados na pauta do dia: “Farinhar: Saberes e práticas associados aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina” e “Pesca com botos no sul do Brasil”.






















































