A Maratona Cultural de Florianópolis transformou-se, nos últimos anos, em um dos principais eventos de celebração da diversidade artística no Sul do Brasil. Em meio a apresentações que ocupam ruas, praças e teatros da cidade, a presença da cantora Joelma ganha significado especial ao aproximar o público catarinense da cultura paraense, marcada por ritmos, cores e tradições que atravessaram o país junto com os movimentos migratórios.
Natural da cidade de Almeirim, no Pará, Joelma construiu carreira nacional a partir dos anos 2000, quando se tornou conhecida em todo o Brasil com a Banda Calypso. Sua trajetória ajudou a popularizar ritmos do Norte, como o calypso e o brega paraense, ampliando o alcance de uma produção cultural que durante décadas permaneceu concentrada na região amazônica. A apresentação na Maratona Cultural, portanto, vai além do espetáculo musical: representa também um encontro entre culturas.
Ao longo das últimas décadas, Florianópolis passou a receber um número crescente de migrantes de diferentes regiões do país. Entre eles estão trabalhadores, estudantes e empreendedores vindos do Norte, especialmente do Pará, que trouxeram consigo hábitos, gastronomia, música e manifestações culturais que passaram a integrar o cotidiano da capital catarinense.
Restaurantes especializados em culinária amazônica, pequenos comércios, redes de trabalho e eventos culturais são exemplos visíveis dessa presença. A circulação de pessoas entre regiões distintas do Brasil amplia trocas culturais e também movimenta setores da economia local, como turismo, comércio e serviços.
Nesse cenário, a música assume papel importante como elemento de identidade e de conexão comunitária. Ritmos paraenses, que antes circulavam principalmente em festas e encontros privados, passaram a ocupar espaços públicos e eventos culturais. A inclusão de artistas ligados a essas expressões em programações abertas ao público contribui para ampliar o reconhecimento nacional dessas manifestações.
A Maratona Cultural surge justamente com essa proposta: promover encontros entre diferentes linguagens artísticas e públicos diversos. Ao reunir artistas de várias regiões do país, o evento cria um ambiente de circulação cultural que reflete a pluralidade da sociedade brasileira e reforça o papel da cultura como espaço de diálogo.
Para muitos fãs, a presença de Joelma no evento também carrega um componente afetivo ligado à memória musical de toda uma geração. É o caso do servidor público Jhonatan Adriano, natural de Palhoça, que acompanha a carreira da artista desde a infância. Segundo ele, o primeiro contato com a cantora aconteceu em 2005, ao assistir aos programas de televisão que exibiam apresentações da Banda Calypso.
Anos depois, em 2011, realizou o sonho de infância ao conhecer a artista e registrar uma foto com ela. “A cultura paraense é algo que realmente toca o coração, é cheia de tradições, sabores, música e muita alegria. Tive a felicidade de conhecer o Pará quatro vezes, e cada viagem foi uma experiência emocionante que só aumentou ainda mais meu carinho por essa terra e por esse povo tão acolhedor. Por isso, tenho certeza de que a Maratona Cultural será um evento especial e inesquecível, levando para Florianópolis toda a força, a energia e a emoção da cultura do Norte do Brasil”, afirma.

Outro olhar sobre essa conexão cultural vem do bancário Bruno José Ribeiro, natural de Lages, na Serra catarinense. Para ele, a presença de Joelma em um evento público e gratuito amplia o contato do público com ritmos e expressões culturais que nem sempre fazem parte da programação cultural tradicional da região. “A música da Joelma tem uma energia que atravessa qualquer fronteira regional. Mesmo quem nunca teve contato direto com a cultura paraense acaba se envolvendo com o ritmo, com a dança e com a alegria que ela transmite no palco. Trazer um show assim para a Maratona Cultural mostra como Florianópolis está aberta a diferentes influências culturais.”

A relação afetiva entre fãs e a artista também aparece no depoimento de Caique Oliveira, que acompanha a trajetória da cantora desde a infância. “Eu sou fã da Joelma desde os meus 7 anos de idade. Meu primeiro contato com essa grande artista foi através da minha mãe e da minha avó, que sempre escutavam as músicas da Banda Calypso em casa. Desde então, venho acompanhando a carreira dessa grande artista, conhecida como a Rainha do Pará, há mais de 20 anos.”
Segundo ele, acompanhar os shows se tornou uma forma de manter viva essa ligação com a música e com a cultura que a artista representa. “Sempre que tenho condições, viajo para assistir aos DVDs e shows, porque viver esses momentos de perto é algo muito especial para mim. Mas o amor e a admiração que sinto por ela vão muito além de qualquer valor investido. É uma conexão verdadeira com a música, com a história e com a cultura que ela representa. A cultura paraense é algo muito lindo e rico, e acredito que, através da música da Joelma, ela tem agregado muito também à nossa cidade de Florianópolis. É incrível ver como a arte e a música conseguem aproximar pessoas e espalhar alegria por onde passam.”

Eventos desse porte também estimulam o turismo cultural e movimentam setores econômicos da cidade. Restaurantes, hotéis, transporte e comércio registram aumento de circulação durante a programação da Maratona Cultural, que reúne milhares de pessoas em diferentes pontos da capital.
Mais do que entretenimento, apresentações como a de Joelma revelam como a cultura acompanha os fluxos de migração e ajuda a construir pontes entre regiões do país. Ao ocupar o palco de um dos principais eventos culturais de Florianópolis, a artista simboliza a presença viva da cultura paraense na cidade e reafirma o papel da música como espaço de encontro entre histórias, territórios e identidades brasileiras.























































