Gaúcha radicada em Florianópolis há 20 anos, a lutadora Marina Rodriguez sobe mais uma vez no octógono do UFC neste sábado (3). O evento será em Des Moines, capital do etado de Iowa, nos Estados Unidos. Marina vai enfrentar a canadense Gillian Robertson, de 29 anos.
Nona colocada no ranking peso-palha feminino, Marina está bem consciente dos riscos que a 12ª colocada oferece e fez um treino específico para essa luta durante um camping de três meses.
“Fiz um treinamento muito bom na parte do jiu-jitsu, estou muito confiante e pronta para fazer uma força com ela. Sei que ela vai vir só para fazer a luta agarrada, então a gente já traçou a estratégia para não só ficar na defensiva, fazer força até ela cansar”, contou Marina.

Além da luta agarrada, a canadense também é conhecida por golpes baixos – às vezes até ilegais. Em seu combate mais recente, Robertson enfrentou Luana Pinheiro e deferiu cotoveladas no ânus da também brasileira, que relatou até dificuldades para andar após a derrota.
“Achei horrível, mas o árbitro não viu e luta que segue. Dizem que ela é suja, mas para mim não faz diferença. Eu não ficaria naquela posição que a Luana ficou, com o quadril vendido, era só ter feito guarda. Talvez eu reclamasse no intervalo dos rounds, mas não adianta, a gente acaba perdendo o foco”, avaliou Rodriguez.
Marina assistiu a luta e acredita que, apesar de não aparecer no regulamento, golpes no ânus deveriam ser considerados ilegais, da mesma forma que não pode atingir os órgãos de reprodução.
Apesar da fama de jogo sujo, Gillian vive um momento de grande popularidade dentro do UFC, com uma sequência de três vitórias desde o começo do ano passado e escalando o ranking da categoria.
Isso, no entanto, não intimida Marina Rodriguez. Até porque a canadense nunca teve uma sequência de quatro vitórias desde que chegou ao Ultimate, em 2018 —ao contrário da brasileira, que chegou na mesma época.
“Vou fazer de tudo para vencer de uma maneira bem expressiva, matar essa sequência dela. Eu já lutei contra hypes gigantescos e quebrei a banca. Isso me deixa até mais motivada para entrar no octógono e tirar o hype da das adversárias”, garantiu atleta que mora no Ingleses, Norte da Ilha, em Florianópolis.

Marina vem de uma sequência de duas derrotas, para as brasileiras Jéssica Andrade e Iasmin Lucindo, mas garante que já corrigiu os erros que levaram aos resultados negativos.
“Tenho certeza que a culpa foi minha. Foi uma luta na decisão dividida, deixei de dar um pouquinho a mais para levar outro juiz comigo. É só focar em querer vencer e dar tudo o que tiver que dar para não deixar na mão dos juízes”, disse.
Aos 38 anos de idade recém-completados, Marina tenta provar que ainda pode competir em alto nível e que as derrotas recentes fazem parte do jogo. Porém, admite que seu futuro está em aberto.
Em entrevista à reportagem da Agência Fight, Marina explicou que, em sua opinião, a mudança na questão profissional fez com que cada vez mais os atletas de esportes de combate tivessem uma longevidade maior do que seus antecessores. E apesar dos resultados negativos recentes, tendo amargado quatro derrotas nas últimas cinco lutas disputadas, a atleta que adotou Santa Catarina ainda se sente apta a encarar as melhores lutadoras do mundo.

“Acredito que o atleta de hoje está agindo como um atleta profissional de verdade. Antigamente, tenho quase certeza que a maioria dos atletas não cuidava muito de alimentação, descanso, recover (recuperação)… E hoje a gente está fazendo isso com mais inteligência, para poder perdurar mais a carreira. Claro, em questão de resultados, eu já tive um auge – que eu estou buscando novamente. Mas em questão física e mental, eu ainda me sinto performando muito bem na academia, e tenho certeza que no octógono também”, afirmou Marina.
Futuro em aberto
Ciente da necessidade de voltar a vencer – até para se provar capaz de continuar competindo entre as melhores do mundo -, Marina Rodriguez foca todas suas energias no duelo deste sábado contra Gillian Robertson. Assim, ao ser questionada sobre seu futuro, a lutadora fez mistério e deixou para divulgar seus planos apenas depois do combate.
“Eu estou pensando só nessa luta, não estou pensando no pós. Quero dedicar minha energia toda nessa luta, vencer a Gillian. Planejamento para frente, não tenho muito o que dizer sobre… Tudo depende de um passo por vez. Essa vida de atleta não é fácil, manter uma rotina por muitos anos, mas eu estou muito focada só nessa luta. Depois dessa luta que eu vou parar e pensar nos próximos passos e o que pode ser feito”, declarou.
Ex-top 3 peso-palha do Ultimate, Marina Rodriguez viu seu sonho de disputar o cinturão da categoria se afastar devido aos resultados de suas últimas lutas. Com derrotas para as compatriotas Amanda Lemos, Virna Jandiroba, Jéssica Bate-Estaca e Iasmin Lucindo – e uma única vitória sobre Michelle Waterson-Gomez -, a veterana, que completou 38 anos no dia 29 de abril, caiu para o 9º lugar no ranking da divisão.





















































