
Em Florianópolis, o Grupo de Emoções, do Projeto Bairro Educador, vem colhendo bons frutos nas 12 sedes espalhadas pela Ilha e Continente. O objetivo da iniciativa, mantida pela Prefeitura da Capital, é desenvolver a inteligência emocional nas crianças e adolescentes para favorecer as relações interpessoais, contribuindo para a melhoria da aprendizagem, a resolução de problemas e favorecendo o bem-estar pessoal e social.
– As aulas do Grupo de Emoções transformaram para melhor a vida do meu filho e a minha também -, afirmou a profissional de segurança Kátia Cilene Constant, de 47 anos, mãe do menino Kauê Constant Ferreira, 11 anos, estudante da oficina de Jiu-Jitsu, na sede do projeto no bairro Monte Verde. Ao matricular neste ano Kauê no Grupo de Emoções, ela nem imaginava a revolução que aconteceria na vida do garoto.
Kátia conta que o filho era muito tímido, quase não falava e com a participação no Grupo das Emoções o menino melhorou muito a comunicação.
– Um tio dele, com quem era muito apegado, faleceu. Ele ficou tão abalado que queria morrer também. Só chorava e não entendia por que o tio havia partido. Não aceitava o fato. Mas, com a intervenção do Grupo de Emoções, Kauê voltou a sorrir, por entender o processo da morte. Posso dizer que o que aconteceu com meu filho foi um milagre -, contou a mãe.
Direitos e deveres
Formado pelos psicólogos Júlio Ramos, Bruna Thirion, Carla de Almeida, Letícia Sardá, Gabriela Rosa e pelas assistentes sociais Karoline Francieli e Karolina Machado, o time psicossocial do Projeto discute com os estudantes as diretrizes em torno de eixos temáticos da inteligência emocional que envolve a competência de cada um, direcionado para questões como conhecimentos, capacidades, habilidades e atitudes.
Em aulas lúdicas, com brincadeira e jogos, os profissionais trabalham a realidade dos indivíduos envolvendo assuntos como assertividade, que é a maneira de se comportar de forma educada respeitando as diferenças de cada um; empatia , a habilidade de compreender o outro mesmo não concordando; saber escutar com atenção; e definir um problema, habilidade que permite uma pessoa ser capaz de analisar uma situação avaliando o todo.
Nas aulas, são debatidas tomadas de decisões e suas consequências e a habilidade de encontrar uma solução justa para todos os envolvidos.

Cidadania
Paralelo a essas ações, as profissionais de assistência social desenvolvem orientações de conscientização sobre o direito de se ter acesso à saúde, habitação, educação, tendo como parâmetro o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
– Muitos não têm conhecimento sobre seus direitos e não sabem como recorrer a um órgão como posto de saúde ou a um conselho tutelar e nós aqui esclarecemos essas questões e promovemos encaminhamentos quando necessário -, destaca a assistente social Karoline dos Santos.
– As aulas do Grupo de Emoções são muito legais. A psicóloga ouve a gente e também aprendi a ouvir outras pessoas e também que não devemos guardar sentimentos ruins, de tristeza. Se tiver vontade de chorar, temos que chorar -, diz Kauê.
Seu amigo de turma, Artur Rosa, 8 anos, comemora:
– Aqui aprendi a ser paciente, a ter calma -, diz, enquanto participava da atividade denominada “A flor das diferenças”, em que tinha que desenhar a sua mão em um papel, pintá-la e montar com os amigos uma árvore que tinha a flor das diferenças.
Transformando vidas
Para o psicólogo Júlio Ramos, a transformação das crianças e dos adolescentes vem ocorrendo em um todo.
– Nós também estamos aprendendo com eles e também estamos mudando. Os pais nos dão um feedback e dizem que os filhos estão mudados e que essas transformações estão começando a ocorrer na família também, fazendo com eles se sintam parte do processo, em um sentimento de pertencimento ao programa -, completa ele.
– Depois que meu filho começou a frequentar as aulas das emoções, sou outra pessoa. Por meio da participação dele comecei a ter um novo olhar sobre a vida. Antes, eu não tinha tanta clareza de estar perto participando de cada passo da vida dele. Hoje, vejo que estar presente ao lado dele em cada atividade é importante e fundamental para nós -, conclui Kátia Cilene.






















































