Em Florianópolis, a Polícia Civil deflagrou nesta semana mais uma série de ações que investigam crimes de corrupção dentro da Prefeitura da Capital. Desta vez, trata-se da Operação Backstage, que apura um suposto esquema envolvendo contratos da Secretaria Municipal de Assistência Social. As investigações focam em desvios de recursos milionários, fraude em licitações e falsidade ideológica no atendimento a pessoas em situação de rua.

De acordo com a Polícia, além de agentes públicos, também são investigados líderes religiosos e uma associação chamada “Alberto de Souza”. As apurações analisam a terceirização de serviços de abrigo, alimentação, atendimento psicossocial e saúde. Os inquéritos são desdobramentos de investigações anteriores, como a Operação Pecados Capitais.
Prefeitura se defende
Na sexta-feira (26), a Prefeitura de Floripa emitiu uma nota oficial sobre o caso. O comunicado informa que o governo municipal teve acesso ao processo, e, após a análise do conteúdo, verificou que não houve qualquer pedido de afastamento de servidores municipais até o momento. Segundo a Nota, as medidas cumpridas pela Polícia Civil restringiram-se a mandados de busca e apreensão nas residências de dois servidores, sem buscas em órgãos públicos, pelo menos por enquanto.
“A Prefeitura seguirá fornecendo todos os documentos solicitados pelos órgãos responsáveis e atuando com total transparência”, informou o documento. Além disso, o Governo municipal promete encaminhar às autoridades, de forma voluntária, toda a documentação referente ao processo de contratação emergencial da Passarela da Cidadania, estrutura que há alguns anos funciona nas dependências da Nêgo Quirido.

Na Nota, a Prefeitura aponta o ex-secretário e ex-vereador Bruno Souza como responsável pelas contratações que estão sendo investigadas. A reportagem do Tudo Sobre Floripa obteve cópias de documentos assinados por Bruno, onde ele solicita a dispensa de licitação para contratar as empresas terceirizadas.
Bastante ativo nas redes sociais, Bruno Souza tem viralizado postando vídeos onde constrange pessoas em situação de rua fiscaliza homens sem roupa em praias de naturismo. Assim que a Operação Backstage surgiu como mais um escândalo de corrupção na Prefeitura, Bruno se manifestou alegando que, quando comandava a secretaria de Assistência Social, tentou avisar sobre as irregularidades. ‘Não me deram ouvidos, mas eu avisei”, revelou.
Na câmara de Vereadores, lideranças da oposição ao prefeito Topázio Neto iniciaram movimentações para a instalação de uma CPI que investigue no legislativo as novas denúncias. A missão é considerada bastante complicada, já que no caso das operações anteriores, como Presságio e Pecados Capitais, a maioria dos vereadores, todos apoiadores do prefeito, rejeitaram iniciar qualquer investigação.
Um dos que assinou o pedido de CPI foi o vereador Leonel Camasão (PSOL). Segundo ele, os fatos novos só reforçam a necessidade de uma CPI da Assistência Social, urgentemente. “Faltam apenas duas assinaturas para tirar a investigação do papel. Não podemos mais conviver com tantos escândalos de corrupção com o dinheiro que deveria ser destinado para quem mais precisa”, apontou ele.























































