Em 1957, um jovem de 16 anos chamado Pelé estreava pela Seleção Brasileira e marcava seu primeiro gol com a amarelinha, o governo de JK dava os primeiros passos para erguer Brasília e, em Santa Catarina, Antônio Boabaid recebia sua credencial de número 347. Quase sete décadas depois, aos 96 anos, o segundo advogado mais antigo e com vida no estado voltou a segurar a ficha de inscrição, entregue em mãos pela vice-presidente da OAB/SC, Gisele Kravchychyn, em reconhecimento a uma trajetória que se confunde com a história da advocacia catarinense.

Ao longo de quase 70 anos de profissão, Boabaid viu as máquinas de datilografia saírem de cena e darem lugar aos computadores, calhamaços de papéis e consultas em bibliotecas darem espaço à internet e processos eletrônicos. Mudaram as ferramentas e os processos, mas há algo que para o advogado nunca mudou:
“Eu ainda acho a advocacia uma das profissões mais difíceis do mundo. Cada cabeça é uma sentença. Mas eu consegui atuar por anos porque sempre tive a boa vontade de dialogar. E este é o conselho que deixo para os mais jovens”, reflete.
A ficha de inscrição, já amarelada pelo tempo, tornou-se uma espécie de passaporte que o permitiu viajar pela própria história. Enquanto folheava, Boabaid rememorava antigos colegas, muitos já falecidos, e os casos e cargos de importância que ocupou durante a trajetória.
Na OAB/SC, ele integrou os quadros dirigentes da Seccional, atuando como secretário-geral adjunto entre 1971 e 1972, na gestão do então presidente João José Ramos Schaefer, e exercendo sucessivos mandatos como conselheiro estadual nos anos seguintes. Somadas, foram cerca de duas décadas dedicadas à Ordem de forma voluntária.

“É uma vida”, diz, sem desprender os olhos dos papéis. “É uma vida de muita dedicação à advocacia, construída com compromisso, ética e profundo respeito pela profissão”, completou Gisele.
Uma vida dedicada à advocacia
Para Antônio Boabaid, a advocacia nunca foi apenas uma profissão, mas um compromisso que atravessou toda a sua vida. Mesmo após a aposentadoria, ele afirma jamais ter se desvinculado do ofício: “É uma profissão que a gente nunca esquece”, resume.
A advocacia sempre foi seu norte e, ainda nos tempos da faculdade, o ofício lhe proporcionou o mais belo dos encontros: o com a esposa, companheira de vida e de profissão. Juntos, ele conta, construíram uma família, tiveram três filhos e dividiram o dia a dia no escritório. A parceria, segundo ele, foi fundamental para tudo o que conquistou.
“Eu tinha uma grande esposa que me ajudou, eu realizei muita coisa graças a ela. Nós trabalhamos juntos no escritório e eu fazia tudo que ela mandava”, brinca, ao lembrar da companheira, já falecida.

A trajetória de Boabaid também é reconhecida pela atual gestão da OAB/SC. Para Juliano Mandelli, a história do advogado se confunde com a própria evolução da advocacia catarinense.
Mandelli destaca que exemplos como o de Boabaid representam o alicerce da profissão no Estado. E que ele, com dedicação e coragem, ajudou a abrir caminhos para as novas gerações, deixando um legado que inspira quem hoje constrói o futuro da Justiça.
“Aos que fizeram a nossa história, como o dr Boabaid, e aos que continuam fortalecendo a advocacia todos os dias, fica o nosso profundo agradecimento”, declara.






















































