Neste sábado (1º), um grupo de ambientalistas voluntários vai percorrer algumas áreas nativas do Norte da Ilha, em Florianópolis, num trabalho para retirar árvores de pinus elliottii, uma espécie exótica considerada invasora que prejudica o meio ambiente. A iniciativa é organizada pelo Instituto Save Planet (ISP), que desde 2012 mantém o Projeto Salve Floripa, uma batalha silenciosa contra a proliferação dessa árvore na Capital catarinense.
No murtirão, dezenas de pessoas arrancam os pinus invasores com as próprias mãos e ferramentas manuais, devolvendo o espaço para as espécies nativas da restinga. A ação é aberta ao público e acontece no Parque Estadual do Rio Vermelho (PAERVE), entorno da atual Reserva Nacional de Surf Moçambique (RNSM).

O pinus elliottii não é nativo do Brasil. A espécie foi trazida do Hemisfério Norte, sobretudo do Canadá, nas décadas de 1960 e 1970 para plantações comerciais de papel e celulose. Em Santa Catarina, grandes áreas foram plantadas com pinus para produção de madeira e experimento. Na época, o incentivo ao plantio de espécies exóticas de crescimento rápido, como o pínus, era uma política do governo para abastecer a indústria madeireira e de celulose, devido à exploração abusiva da Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná).
Em Santa Catarina, o reflorestamento com pínus foi promovido para a produção de madeira, com grandes empresas incentivando o plantio, inclusive em áreas de restinga e dunas. Em Florianópolis, o plantio de pinus, incluindo o elliottii, foi incentivado pelo governo em áreas de dunas e restingas, como no atual Parque Estadual do Rio Vermelho, com o objetivo inicial de contenção das dunas e uso econômico.

O problema é que ninguém imaginou as consequências: o pinus se adaptou tão bem ao clima local que começou a se espalhar descontroladamente para fora das plantações. Cada árvore produz milhares de sementes por ano, que são levadas pelo vento e germinam em dunas, restingas e nos morros em áreas de Mata Atlântica.
Décadas depois, o pinus tomou conta de áreas inteiras da Ilha de Santa Catarina. Na atual Reserva Nacional de Surf Moçambique (RNSM), uma das regiões mais preservadas de Florianópolis, o invasor compete com espécies nativas como araçá, camarinha, aroeira, guamirim, pitanga e outras plantas típicas da restinga.
O pinus cresce rápido, faz sombra, acidifica o solo e impede que as plantas nativas se desenvolvam. O resultado: perda de biodiversidade, desequilíbrio ecológico e degradação do ecossistema costeiro que deveria ser protegido.
A solução: maos na terra
Sem esperar por grandes projetos governamentais, voluntários do Instituto Save Planet colocaram literalmente a mão na massa. Armados com motosserras, enxadas e muita determinação, eles entram na mata, removem os pinus invasores e plantam mudas de espécies nativas no lugar. Em apenas quatro meses de programa, 88 voluntários já se inscreveram.

Neste sábado (1º), o trabalho da remoção dos pinus invasores terá companhia de atividades de educação ambiental para todas as idades, das 8h30 as 12h. As inscrições são gratuiras e podem ser feitas pelo Instagram @institutosaveplanet.
Ao longo dos anos, desde que se descobriu os efeitos nocivos do pinus ao meio ambiente nativo de Santa Catarina, diversas iniciativas comunitárias surgiram de forma espontânea para combater a espécie invasora. De acordo com Michele Montenegro, Presidente do Instituto Save Planet, o Projeto Salve Floripa nasceu justamente nesse contexto, no final de 2009, ainda de forma totalmente voluntária, com pessoas da comunidade unidas pela mesma causa. Mais tarde, com o amadurecimento das ações, surgiu o Instituto Save Planet, que hoje coordena de forma contínua e técnica o manejo ecológico dessas áreas dentro do Parque Estadual do Rio Vermelho.
Até 2012, essas iniciativas enfrentavam uma dificuldade burocrática, já que a legislação da época exigia autorizaçãopor escrito da antiga Fatma (Fundação doMeio Ambiente) para a retirada de cada árvore. Isso se resolveu com a aprovação de uma lei municipal que determina a retirada de espécies exóticas invasoras em Florianópolis, com foco na proteção da restinga e da Mata Atlântica. Desde então, a legislação e os planos de manejo evoluíram, facilitando a autorização para remoção dessas espécies em áreas públicas protegidas, especialmente quando há projetos reconhecidos e autorizados pelos órgãos ambientais competentes.

“Com a consolidação do Instituto Save Planet, as autorizações são obtidas por meio de planos de manejo aprovados pelos órgãos ambientais, o que torna o processo mais ágil e seguro juridicamente, diferente de como era há 15 anos, quando tudo ainda era muito incipiente e informal”, explica Michele.
“Nosso trabalho de retirada dos pinus é feito com base em soluções baseadas na natureza. Isso significa que utilizamos a própria matéria orgânica resultante do corte (troncos, galhos e folhas) como cobertura e adubo natural, devolvendo carbono e nutrientes ao solo degradado. Assim, protegemos e fortalecemos as “ilhas de biodiversidade” que criamos com espécies nativas”, concluiu ela.
Vale destacar ainda que o valor ecológico do pinus no solo é muito maior do que se fosse retirado. A cobertura vegetal evita erosão, melhora a retenção de água, controla a rebrota por sombreamento e acelera o processo de regeneração natural.
O controle é feito por monitoramento constante e mutirões de manejo manual. A germinação das sementes é inibida com técnicas de cobertura e plantio estratégico de espécies nativas, reduzindo significativamente a chance de novas árvores se estabelecerem.






















































