O anúncio da destinação do Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira para uso pela Secretaria de Estado da Educação surpreendeu e frustrou o trade turístico, que esperava contar com o grandioso espaço para ampliar a atividade turística na capital catarinense.
Localizado no bairro de Canasvieiras, no Norte da Ilha, em Florianópolis, o centro de eventos encontra-se em operação desde 2016. O empreendimento possui área construída de 17 mil metros quadrados, com dois auditórios, uma área de 5 mil metros quadrados destinada a feiras, duas praças de alimentação e capacidade para aproximadamente 8 mil pessoas. O estacionamento conta com 770 vagas para automóveis, 8 vagas para portadores de necessidades especiais e 96 vagas de motos.

O Centro e Eventgos foi idealizado como equipamento turístico, para atender uma região com acentuada vocação turística e com um setor hoteleiro bem desenvolvido que recebe visitantes de diversos estados do Brasil, inclusive do exterior, especialmente de países vizinhos.
Atuação do Destino Floripa & Região
O Destino Floripa & Região, convention bureau de Florianópolis, atuou intensamente para cobrar a concessão do centro de eventos. Conforme lembrou o presidente da entidade, Mário Costa Júnior, “após uma audiência com a Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa, o Parlamento também foi ao governo do Estado cobrar a licitação, que chegou a ser anunciada no meio de 2025”.
O fortalecimento do pilar turismo de eventos foi anunciado como uma das prioridades pela nova gestão do Destino Floripa, que assumirá em janeiro. “O convention considera o equipamento fundamental para atender a demanda de mais um centro para eventos de grande porte na Capital”, sustenta Mário Costa Júnior.
Ele alerta que o Estado gastará ainda mais recursos para transformar um equipamento que foi projetado para sediar eventos para receber outra finalidade. “Ainda que todas as áreas sejam importantes, um centro de eventos gera emprego e renda e alavanca a economia, inclusive revertendo tributos para o Estado que podem ser aplicados em setores como a educação”, considera Costa Júnior.
“Os eventos, sejam de lazer, capacitação ou negócios, são fundamentais para manter o movimento de visitantes o ano todo, e é sabido que o turista de eventos retorna ao destino a lazer, muitas vezes trazendo a família toda. O Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira é uma estrutura estratégica para esse segmento do turismo, que movimenta a hotelaria, a gastronomia, os transportes e uma cadeia de mais de 50 setores produtivos”, reforça o presidente do Destino Floripa & Região.
Entenda o caso
O governador Jorginho Mello anunciou nesta semana que o centro de eventos será doado à Secretaria de Estado da Educação para uso educacional. A proposta é transformar o empreendimento em um polo para formação de professores, capacitação e educação tecnológica, além de atividades para estudantes da rede estadual.
Reações positivas
Quem apoia a iniciativa, vê com bons olhos usar uma estrutura moderna, bem localizada, para educar em vez de apenas sediar eventos, considerando o uso mais “social” e sustentável do bem público. A secretária de Educação, Luciane Ceretta, destacou que a destinação vai permitir formação continuada de professores e trazer inovação para a rede estadual.
O governo realizou audiência pública para discutir a concessão, o que abre espaço para a sociedade civil dar contribuições. Também está em curso uma consulta pública (com prazo para contribuições) para ajustar tecnicamente o projeto.
Críticas e preocupações
Alguns críticos, especialmente do setor de turismo, dentre eles o Destino Floripa & Região, que é o convention bureau de Florianópolis, alertam que converter o centro para uso educacional poderá prejudicar a capacidade do espaço de receber eventos que geram renda, turistas e movimentação econômica. Também há o risco de subutilização se a estrutura não estiver completamente adaptada para fins educacionais, ou se a demanda para cursos e capacitação for menor do que o espaço comporta.
Antes do anúncio para a Educação, já havia um plano para conceder o LHS à iniciativa privada: estudos de viabilidade, roadshow para investidores e modelo para concessão de 35 anos já tinham sido desencadeados.
Próximos passos
Embora o anúncio tenha falado em doação para a Educação, parte do plano original era a concessão por 35 anos para operação privada. Se isso for mantido, pode haver modelos híbridos (educação + eventos).
O resultado de consultas públicas será importante para moldar o projeto final, assim como o investimento necessário para transformar auditórios, salas de eventos em salas de aula, laboratórios, etc. A viabilidade financeira desse retrofit é fundamental para o sucesso do projeto.
Outra questão é a Governança educacional, ou seja, quem vai gerir o centro. A parceria com instituições de ensino e empresas privadas tende a ser decisiva para a sustentabilidade da empreitada.






















































